O Milagre das Recuperações em 12 Passos


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Eu era calado; eu tinha prisões de ventre constantes; eu sofria de uma enxaqueca crônica; eu ficava muito tempo da minha vida fechado no quarto lendo livros e pensando, pensando sem parar, e quando ficava cansado de tanto pensar, voltava a ler os livros; eu era feito um robô programado para fazer coisas, sempre fui um ótimo fazedor de coisas; eu era um mal humorado crônico; eu me sentia o ser humano mais infeliz do mundo; eu nunca falava com ninguém sobre o que eu sentia; eu ouvia músicas sem jamais prestar atenção nas letras; minha mente era povoada de pensamentos negativos a cada instante do meu dia; eu achava que estava fadado ao fracasso e que nada de bom viria a acontecer na minha vida; eu achava que jamais casaria, que jamais teria filhos, que jamais moraria numa casa própria, que jamais ganharia o suficiente para o meu sustento; eu sentia por mim mesmo muito desprezo, como se eu fosse um incapaz, um tolo, um estúpido, um inseguro, um medroso, um pipa voada, um João Ninguém; eu achava que o que eu estudava na faculdade não serviria para nada em minha vida, e que quando o curso superior terminasse, eu estaria literalmente graduado e ao mesmo tempo perdido e sem rumo, sem saber o que fazer da minha vida; eu sentia medo de tudo e de todos; eu já fui o avesso da própria vida.

Absolutamente tudo o que escrevi aí acima foram verdades em minha vida, e por acreditar nestas minhas verdades e vivê-las com profunda intensidade, eu vivi ao longo de mais de 40 anos preso dentro da minha própria prisão mental e emocional, a depressão. A pena de encarceramento máxima no Brasil é de 30 anos, e eu sobrevivi a mais de 40 anos no meu cárcere pessoal. 

Praticamente tudo o que eu escrevi aí em cima são coisas do passado, coisas que já não me acompanham, coisas que já não sinto mais, agora que estou aqui no meu futuro e já passei dos sessenta anos de idade.

Certa vez, quando estava a caminho de uma sala de 12 Passos, decidi fazer deste programa a pedra fundamental da minha busca espiritual, e nunca me arrependi desta resolução, nunca me arrependi de ter acreditado no programa, e mesmo quando aparentemente as "coisas não ocorriam como eu queria", continuei acreditando por sentir que havia algo de extraordinário por trás daquelas reuniões tão simples, com pessoas simples em ambientes mais simples ainda.

Para você companheiro, que chegou até aqui na leitura, e ainda se sente como eu me sentia nas linhas iniciais deste texto, para você eu sugiro uma coisa: Não desista, acredite no programa, vá à reuniões, e seja dentro da sala o mais honesto possível com o que você sente e — muito importante isto —, não tenha jamais nenhum temor de ir colocando tudo para fora, pois neste programa que eu nunca saberei exatamente como funciona, o mal costuma sair pela boca e a cura costuma entrar pelos ouvidos, e tudo isto aos cuidados de um Poder Superior, conforme eu agora consigo concebe-Lo. Meu companheiro anônimo, seja lá qual for a sua história, seja lá qual for a sua origem, não desista de você mesmo cinco minutos antes do milagre das recuperações em 12 passos acontecer em sua própria vida.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Clique em O Sexto Passo é uma Creche para ler a crônica anterior, ou em As Duas Filas para ler a crônica seguinte. 


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