Meu Irmão, o Rei Sísifo
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Na mitologia grega o rei Sísifo, por ter enganado os deuses duas vezes, recebeu um castigo de Zeus, o deus dos deuses: Carregar uma enorme pedra desde a planície até atingir o alto de uma montanha.
A cena passa pela minha mente, o cansaço de Sísifo é extremo, já está no final de suas forças e a poucos passos do pico da montanha, e então a pedra escapa de suas mãos e rola montanha abaixo. Sísifo resignado desce a montanha, pega novamente a pedra e começa a rolá-la montanha acima, e o mesmo processo se repete por toda a eternidade, com a pedra rolando montanha abaixo e Sísifo movendo-a montanha acima — pobre Sísifo, sinto compaixão pelo seu esforço e sua dor, e o seu cansaço é o meu cansaço também. A doença mental e emocional, na sua intensa e incessante atividade, gera em mim uma sensação de cansaço semelhante ao cansaço de Sísifo.
Seria a doença mental e emocional uma enorme e atemporal pedra que eu também carrego o tempo todo para baixo e para cima? Sísifo sofre porque a pedra escapa de suas mãos e rola montanha abaixo; eu sofro por inconscientemente não desejar largar a pedra, estou apegado a ela — doença mental e emocional e apego são sinônimos.
Eu sou um apegado a pedra, paradoxalmente desejando o tempo todo livrar-me dela, na esperança de simplesmente viver de forma intensa no aqui e no agora sem nenhum peso mental sobre os meus ombros, e Sísifo não tem nenhum apego a pedra, contudo ele não pode soltá-la de suas mãos, sob pena de prolongar o seu sofrimento por toda a eternidade.
Ah Que coisa doida... Como um autêntico neurótico eu poderia afirmar com toda a segurança: "Eu no lugar do Sísifo ficaria contente da vida vendo a pedra rolar montanha abaixo, ganhando cada vez mais velocidade até se perder na planície, para em seguida seguir adiante sem este peso inútil, atingindo o topo da montanha e contemplando toda a beleza lá de cima — Solte-se e entregue-se a Deus."
Ah que coisa mais doida ainda... Sísifo parece estar dizendo para mim no seu sofrimento eterno: "Eu no lugar do Viajente Emocional ficaria imensamente feliz de continuar sustentando a pedra com toda a segurança e apego até o topo da montanha, cumprindo minha missão e livrando-me do castigo de Zeus."
Sísifo tentando sustentar a pedra para livrar-se do castigo de Zeus, e eu tentando largar a pedra para encontrar a graça de Deus. Seríamos eu e Sísifo dois controladores contumazes tentando o tempo todo controlar todos os movimentos da pedra? Seria a doença mental e emocional também a doença do controle?
Eu e Sísifo separados no tempo e no espaço e ligados a uma pedra, a inconsciente e ilusória pedra da nossa ignorância espiritual que tanto nos aproxima da dor e nos separa de Deus, conforme eu O concebo, ou Zeus, conforme Sísifo o concebia. Seria Sísifo um depressivo sem amor próprio, ou um doente mental e emocional crônico, como eu já fui um dia, por protagonizar assim um castigo tão duro e eterno?
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.
Clique em As três Barcas da Salvação para ler a crônica anterior, ou em Quando Briguei com Deus para ler a crônica seguinte.

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