O Primeiro de Abril do Meu Velho Ego
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Seja muito bem-vindo ao blog; Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha gratidão.
Abri o aplicativo de mensagens e estava lá escrito em preto sobre branco: Fulana removeu você! Dois milionésimos de segundos depois eu já estava com o modo codependente ativado na máxima intensidade; meu coração acelerou tal como Senna nas grandes retas; meu sangue ferveu tal como a água a cem graus Célsius; as portas do meu inferno mental foram escancaradas para eu entrar; uma grande tristeza assolou o meu coração, vindo à minha mente o momento em que a carreta do meu pai desaparecia do meu olhar depois da curva do fim da rua.
Modo codependente ativado...
"Fui removido; ela não gosta de mim; ela está rejeitando-me; não fiz nada de mal contra ela; venho comportando-me direitinho com ela e com todos os demais a fim de ser sempre aceito, amado e respeitado; venho adotando com frequência o modo camaleão a fim de tornar-me emocionalmente invisível e não desagradar absolutamente a ninguém, vivendo em paz e alegria no meu cantinho secreto, a casinha do meu cachorro vira-lata; vou abrir um buraco no chão, um buraco bem fundo, e para o fundo escuro do buraco vou pular para não sentir esta desagradável vergonha tóxica que agora envenena o meu coração, minha alma, minha mente, meu espírito, minha vida... cairei no buraco e vou para sempre para o fundo do poço e da escuridão a fim de não sentir o que sinto agora; vou trancar-me no quarto por longos dias e no quarto ouvirei uma infinidade de músicas nostálgicas, músicas de amores perdidos e não correspondidos, músicas com um "q" de tristeza e nostalgia, músicas recheadas de melancólicos acordes de guitarra; nunca mais vou olhar na cara dela; de agora em diante vou liberar aos borbotões o meu venenoso e frio olhar de indiferença e distanciamento, meu invertido olhar quarenta e três; nunca mais falo com ela, ela morreu para mim; ah... ela me paga, ela me paga — vou encerrar a lista por aqui antes que acabe a tinta da pena, que pena!"
No terceiro milionésimo de segundo depois desta terrível tempestade de pensamentos e sentimentos doentes e egocêntricos, abri finalmente o aplicativo e lá estava escrito: Fulana removeu você... primeiro de abril.
Depois de cair como um pato no famoso e popular primeiro de abril relaxei, e depois de umas boas e sonoras gargalhadas refleti que a minha doença das emoções é um diário e perverso primeiro de abril de muito mal gosto que se repete sucessivamente, ano após ano, fruto da grande peça pregada constantemente pelo meu velho e esperto ego — até quando continuarei sendo o patinho feio, a vítima, o perseguido e o perseguidor destas crônicas e de minha própria vida?
Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas.

Hehehe essa foi por pouco!
ResponderExcluirPaz, serenidade e muitas 24 horas.
ResponderExcluirObrigado companheiro!
Q Bom,Companheiro!!!..*Q tudo,literalmente,ñ passou de uma breve desilusão,rs..
ResponderExcluirAcho q é bom presságio,rs..*quando nos deparamos com nossa descuidada recuperação..
E percebemos,q além de nos mesmos,ela está em pleno CURSO..🙌😉
Oi, conforme fui . lendo fui sentindo tudo quê Vc sentiu.Bingo.Valeu e muito.Forte abraço.🙏🙏🙏
ResponderExcluirMeu querido Aloísio. Simples e preciosas reflexões nos trazem suas crônicas! Muito grato sempre!
ResponderExcluirGrande e afetuoso abraço!