As Sandálias da Primeira Tradição
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Seja muito bem-vindo ao blog; Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha codependencia e gratidão.
Aquela, como todas as demais, era uma Sala de 12 Passos com uma porta muito estreita, e o ambiente espiritual desta, de tão limpo, leve e frágil, somente podia ser pisado por calçados muito especiais. As reuniões naquela sala já ocorriam há muitas décadas, então, como muitos tinham dificuldades de entrar pela porta estreita, e outros, mesmo entrando, muitas vezes maculavam a espiritualidade do ambiente, os veteranos, através de muitos anos de experiëncia, finalmente descobriram uma forma para a solução daquele problema, e desde aqueles tempos idos, uma placa foi afixada na porta de entrada: "DESINFLE O SEU EGO E CALCE AS SANDÁLIAS DA HUMILDADE ANTES ENTRAR".modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
Seja muito bem-vindo ao blog; Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha codependencia e gratidão.
Os membros mais antigos sabiam da importância da placa para o bem estar das reuniões. Muitos novatos, porém, quando ingressavam na irmandade, não entendiam muito bem o que aquilo significava, mas eram sempre alertados pelos mais velhos a seguirem aqueles preceitos, e nestas horas ouviam deles: "Nosso bem estar comum deve estar sempre em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade da irmandade — Primeira Tradição". Então, com o tempo e com a prática do programa, os novos iam pouco a pouco compreendendo que aquela mensagem afixada na porta funcionava como uma amorosa guardiã da Primeira tradição, e que esta era o próprio alicerce das fundações espirituais de todas as Salas de 12 Passos — a pedra fundamental.
Ano após ano, os participantes chegavam, liam o cartaz, desinflavam o ego, calçavam suas próprias sandálias da humildade, para, logo em seguida participarem das reuniões. Como todos eles sofriam de doenças emocionais, com os seus mais variados sintomas — medo, culpa, raiva, ansiedade, depressão, negação, codependência, alcoolismo, adcções, etc... — e como todos também já percebiam o efeito salutar das reuniões em suas vidas, seguir aqueles preceitos afixados na porta, bem como a Primeira tradição e todas as demais, era algo fundamental para o próprio equilíbrio emocional de cada um deles — a unidade de propósitos era benfazeja para todos.
Até que um dia aconteceu; naquela noite, um daqueles anônimos companheiro chegou trazendo um pesada e perigosa carga de problemas emocionais — uma grande mochila —, e era tão lamentável o seu estado de espírito carregando aquele peso todo, que ele não se atentou para a placa, não desinflou o seu ego, e entrou na sala de botas e sem as sandálias.
A reunião transcorreu normalmente, com cada participante fazendo sua partilha de 10 minutos, falando sempre na primeira pessoa. Chegou finalmente o momento do companheiro com o ego inflado, e sem as sandálias da humildade fazer uso da palavra. Dentro de sua mochila haviam muitas doentias emoções; dentro de sua mochila haviam muitas bombas emocionais; dentro de sua mochila havia muita raiva e muito ressentimento com relação a outro companheiro presente na sala.
Então, sem cerimônia, e de uma forma completamente descontrolada, aquele ego inflado, raivoso, orgulhoso e ressentido, apontou o dedo para o seu companheiro, e durante os seus 10 preciosos minutos de partilha, descarregou nele suas doentias bombas verbais que ele ia retirando, uma após outra, de sua mochila — o ego adora atirar nos outros —, que de tão ferinas e destrutivas, chegavam mesmo a se assemelharem àqueles antigos foguetes V2 — a arma da vingança alemã — que levaram tanta destruição aos alvos britânicos e belgas na segunda grande guerra mundial.
Naqueles 10 minutos de ira, a Primeira Tradição — unidade — havia sido quebrada; naqueles 10 minutos de insano bombardeio, a Segunda Tradição foi colocada de lado, e o Ego assumiu o governo da reunião, destituindo temporariamente a liderança do Poder Superior; naqueles 10 minutos de descontrolados ataques verbais, a Terceira Tradição — o único requisito para ser membro da irmandade é o desejo de recuperar-se — foi duramente feriada; naqueles 10 minutos infernais, a Quinta Tradição entrou em estado de coma, pois a mensagem que era levada naquele instante não era uma mensagem de esperança, mas sim, um doentio grito de opressão, ódio e descontrole emocional — o ego gosta de gritar; naqueles 10 minutos, que por tão longos, mais parecia o tempo da eternidade sofredora dos deprimidos, a Décima Tradição — evitar controvérsias — foi duramente atingida.
Findo o ataque aéreo, ou melhor, o ataque verbal, mental e emocional, a reunião seguiu o seu curso, mas os presentes — todos os presentes — sabiam que algo muito grave havia ocorrido, a atmosfera espiritual da sala e da reunião já não era mais a mesma, a pedra fundamental havia sido abalada, e alguns chegaram mesmo a afirmar posteriormente que viram a espiritualidade sangrando.
Contam que a morte daquele grupo não ocorreu de forma repentina; dizem os antigos que foi uma morte lenta e gradual. Depois do grande bombardeio de ódio, alguns integrantes passaram a perceber que a espiritualidade sempre reinante na sala não estava mais presente — a espiritualidade é amiga da paz — e, sem aquela leve, suave e confiante espiritualidade, muitos foram pouco a pouco abandonando aquele ambiente e suas reuniões — o último que sair, por favor, apague a luz —, até que um dia, completamente vazia e com as luzes devidamente apagadas, a sala foi abandonada e entregue à sua própria sorte.
Até que um dia aconteceu; naquela noite, um daqueles anônimos companheiro chegou trazendo um pesada e perigosa carga de problemas emocionais — uma grande mochila —, e era tão lamentável o seu estado de espírito carregando aquele peso todo, que ele não se atentou para a placa, não desinflou o seu ego, e entrou na sala de botas e sem as sandálias.
A reunião transcorreu normalmente, com cada participante fazendo sua partilha de 10 minutos, falando sempre na primeira pessoa. Chegou finalmente o momento do companheiro com o ego inflado, e sem as sandálias da humildade fazer uso da palavra. Dentro de sua mochila haviam muitas doentias emoções; dentro de sua mochila haviam muitas bombas emocionais; dentro de sua mochila havia muita raiva e muito ressentimento com relação a outro companheiro presente na sala.
Então, sem cerimônia, e de uma forma completamente descontrolada, aquele ego inflado, raivoso, orgulhoso e ressentido, apontou o dedo para o seu companheiro, e durante os seus 10 preciosos minutos de partilha, descarregou nele suas doentias bombas verbais que ele ia retirando, uma após outra, de sua mochila — o ego adora atirar nos outros —, que de tão ferinas e destrutivas, chegavam mesmo a se assemelharem àqueles antigos foguetes V2 — a arma da vingança alemã — que levaram tanta destruição aos alvos britânicos e belgas na segunda grande guerra mundial.
Naqueles 10 minutos de ira, a Primeira Tradição — unidade — havia sido quebrada; naqueles 10 minutos de insano bombardeio, a Segunda Tradição foi colocada de lado, e o Ego assumiu o governo da reunião, destituindo temporariamente a liderança do Poder Superior; naqueles 10 minutos de descontrolados ataques verbais, a Terceira Tradição — o único requisito para ser membro da irmandade é o desejo de recuperar-se — foi duramente feriada; naqueles 10 minutos infernais, a Quinta Tradição entrou em estado de coma, pois a mensagem que era levada naquele instante não era uma mensagem de esperança, mas sim, um doentio grito de opressão, ódio e descontrole emocional — o ego gosta de gritar; naqueles 10 minutos, que por tão longos, mais parecia o tempo da eternidade sofredora dos deprimidos, a Décima Tradição — evitar controvérsias — foi duramente atingida.
Findo o ataque aéreo, ou melhor, o ataque verbal, mental e emocional, a reunião seguiu o seu curso, mas os presentes — todos os presentes — sabiam que algo muito grave havia ocorrido, a atmosfera espiritual da sala e da reunião já não era mais a mesma, a pedra fundamental havia sido abalada, e alguns chegaram mesmo a afirmar posteriormente que viram a espiritualidade sangrando.
Contam que a morte daquele grupo não ocorreu de forma repentina; dizem os antigos que foi uma morte lenta e gradual. Depois do grande bombardeio de ódio, alguns integrantes passaram a perceber que a espiritualidade sempre reinante na sala não estava mais presente — a espiritualidade é amiga da paz — e, sem aquela leve, suave e confiante espiritualidade, muitos foram pouco a pouco abandonando aquele ambiente e suas reuniões — o último que sair, por favor, apague a luz —, até que um dia, completamente vazia e com as luzes devidamente apagadas, a sala foi abandonada e entregue à sua própria sorte.
Aquela sala de reuniões ficava em um grande complexo com muitas outras salas, muitas delas voltadas também para reuniões de grupos de 12 Passos. Passado muito tempo — os historiadores jamais conseguiram precisar exatamente quanto —, os proprietários do grande complexo resolveram fazer uma ampla reforma, promovendo uma grande melhoria em todo aquele conjunto arquitetônico.
Durante as obras, em uma certa manhã, um operário deparou-se com uma sala em ruínas, onde ainda podia ser lido um cartaz afixado na porta, já com as letras bastantes desbotadas pela ação determinante do tempo: "DESINFLE O SEU EGO E CALCE AS SANDÁLIAS DA HUMILDADE ANTES ENTRAR". O operário não entendeu bem o significado daquilo; abriu então a porta e deparou-se com uma grande mesa circular com várias cadeiras no seu entorno. Tudo ali dentro era abandono, as traças e as teias de aranhas haviam tomado conta de tudo; o cheiro de mofo era uma constante. Caminhando por aquela sala, o operário deparou-se com uma tabuleta de madeira em formato retangular no chão, e abaixando-se ele conseguiu ler a inscrição nela gravada: "Nosso bem estar comum deve estar sempre em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade da irmandade — Primeira Tradição". O operário também não conseguiu entender muito bem o significado daquilo, mas observou que muito próximo daquela tabuleta de madeira havia um par de botas, e notou também que haviam marcas daquelas botas na superfície da tabuleta, bem como em outros locais da sala. Ele ficou ainda mais confuso com tudo aquilo, mas a dúvida que ficou em sua mente por toda a sua vida foi a seguinte:"O que estaria fazendo um par de botas em uma sala onde os ingressantes deveriam sempre entrar calçando as sandálias da humildade?"
Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha codependencia; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas.
Durante as obras, em uma certa manhã, um operário deparou-se com uma sala em ruínas, onde ainda podia ser lido um cartaz afixado na porta, já com as letras bastantes desbotadas pela ação determinante do tempo: "DESINFLE O SEU EGO E CALCE AS SANDÁLIAS DA HUMILDADE ANTES ENTRAR". O operário não entendeu bem o significado daquilo; abriu então a porta e deparou-se com uma grande mesa circular com várias cadeiras no seu entorno. Tudo ali dentro era abandono, as traças e as teias de aranhas haviam tomado conta de tudo; o cheiro de mofo era uma constante. Caminhando por aquela sala, o operário deparou-se com uma tabuleta de madeira em formato retangular no chão, e abaixando-se ele conseguiu ler a inscrição nela gravada: "Nosso bem estar comum deve estar sempre em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade da irmandade — Primeira Tradição". O operário também não conseguiu entender muito bem o significado daquilo, mas observou que muito próximo daquela tabuleta de madeira havia um par de botas, e notou também que haviam marcas daquelas botas na superfície da tabuleta, bem como em outros locais da sala. Ele ficou ainda mais confuso com tudo aquilo, mas a dúvida que ficou em sua mente por toda a sua vida foi a seguinte:"O que estaria fazendo um par de botas em uma sala onde os ingressantes deveriam sempre entrar calçando as sandálias da humildade?"
Benvindo é meu sobrenome, Anônimo é o meu nome e pública é a minha codependencia; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas.

O zelo com as tradições é sabedoria. Humildade, seja bem vinda! Obedecer os princípios é um caminho.
ResponderExcluirAmei o texto, preciso com urgência, colocar a sandália da humildade, obrigada poder superior, por sempre, a todo momento vir me despertar para minha recuperação, gratidão eterna
ResponderExcluirLindo! Só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
ResponderExcluirObrigada. Só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
ResponderExcluirObrigada. Só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
ResponderExcluirLinda mensagem! Obrigada!
ResponderExcluirMuito bom.
ResponderExcluirMuito bom.
ResponderExcluirMuito bom.
ResponderExcluirTenho muita dificuldade de ter a verdadeira humildade!... Entrego meu orgulho, minha arrogância, meu controle ao PS.
ResponderExcluirQuero calçar estas sandálias e ficar com ela o tempo todo. Que meu poder superior me oriente e me conduza!
ResponderExcluir