O Sr. Neurótico de Oliveira e Silva
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade
necessária
para aceitar as coisas que não podemos
modificar,
Coragem para modificar aquelas que
podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das
outras"
O Sr. Neurótico de Oliveira e Silva vivia em um bom bairro numa boa casa; era muito respeitado na cidade, sua frequência aos grupos de 12 Passos havia melhorado muito a sua forma de olhar para o mundo, seu estado emocional já era bem mais equilibrado e sua qualidade de vida havia melhorado muito.
No entanto, o Sr. Neurótico de Oliveira e Silva guardava em seu coração uma grande e não revelada dor, um segredo seu...
O Sr. Neurótico recebia seus parentes e amigos na sua casa, mas os fundos da mesma não eram franqueados para as visitas, e nem mesmo para os familiares que viviam sob o mesmo teto, pois lá havia uma placa onde se lia "CÃO FEROZ", e todos, por temor, acatavam.
Seu segredo e sua secreta dor surgia no silêncio das noites, enquanto todos dormiam ele não conseguia conciliar o sono, pois lá dos fundos da casa ele, e tão somente ele, ouvia os lamentos de dor que vinham de lá, não o lamento do cão feroz, não havia cão nenhum, mas aqueles gritos de dor da sua filha, aquela criança, a Codependente de Oliveira e Silva, seu grande segredo e pesar, e era para ele impossível dormir em paz ouvindo aquelas lamentações sem fim...
"Papai, não me abandone aqui; papai, fale comigo; papai, tire-me daqui; papai, eu preciso do seu afeto, do seu carinho, do seu olhar, do seu abraço, do seu colo, da sua presença; papai, eu preciso da sua palavra amiga; papai, eu estou triste, ferida, raivosa, ressentida, deprimida... Papai, papai, pare com estes comprimidos, papai, papai, liberte-nos da nossa dor".
Povoada de pesadelos e insônia, era a noite do Sr. Neurótico de Oliveira e Silva, dor fera, dor de selva, dor de Silva, dor de tantos Silvas, mas até quando ele continuaria escondendo para o mundo sua criança ferida lá nos confins do seu próprio e triste mundo, até quando?
Só por hoje eu vou tirar a tabuleta do cão feroz lá dos fundos, não o do meu quintal, mas dos meus porões mentais e emocionais, pois grande é a dor da criança ferida em mim.
Viajante Emocional, aquele que, além da neurose, sofre da codependência, afinal de contas sou Silva também.
Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.
Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se à vontade para compartilhar com os demais.
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