Os Golpes Emocionais


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Não sei exatamente quando foi deferido o primeiro golpe emocional, mas eu o senti, e apesar de não lembrar-me, sei que doeu muito.

Pouco tempo depois a dor emocional passou e tudo voltou ao normal.

Posteriormente veio um segundo golpe, senti novamente a dor emocional, mas como da primeira vez, a dor passou sem deixar feridas.

Posteriormente vieram outros golpes que chegavam sempre sem data e hora determinadas — imprevisíveis golpes —, e então, pouco a pouco eu passei a sentir-me inseguro e acuado, como se de certa forma eu tivesse recebendo aqueles golpes emocionais por ter feito algo de errado, e desta maneira a culpa e a vergonha de ser e existir começaram a personificar-se na minha vida como se fossem seres reais — assim nasceu a minha baixa autoestima.

Em decorrência de tudo isto minha naturalidade foi aos poucos morrendo, eu estava finalmente ferido, passando a ficar sempre vigilante e atento na vã tentativa de defender-me do próximo golpe, que de certa forma eu sabia que viria novamente, e assim nasceu a minha ansiedade e um profundo desejo de fugir de todos os humanos para todo o sempre e além.

Hoje, tantos anos depois, olho para trás e percebo que me transformei numa pessoa cheia de mecanismos de defesa, sempre lidando com as pessoas que me cercam de uma maneira superficial e distante, sempre com aquele temor infantil de ser ferido mais uma vez — fiz de mim um fujão crônico.

O que eu tenho aprendido através da prática do Programa de 12 Passos é aceitar a minha própria história sem responsabilizar absolutamente ninguém por tudo o que aconteceu — agi desta forma por mais de quarenta anos — , sabendo finalmente que a parte que me toca é ir aos poucos depondo todas as  armas de minha rejeição — minhas próprias armas emocionais — , armas que quando disparadas por mim na desesperada tentativa de evitar que os outros me firam, acabam ferindo-me profundamente, como se o doente tiro sempre saísse pela culatra.

Rogo ao Poder Superior, conforme eu O concebo, que me auxilie a tocar a minha vida com coragem, integridade, honestidade e dignidade, simplesmente vivendo com naturalidade e leveza no meio dos meus espelhos e meus iguais.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Clique em As Emoções Foram Para o Brejo para ler a crônica anterior, ou em O Bicho Papão Universal para ler a seguinte.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Criança Ferida e o Neurótico

Minha Tristeza é Diferente da Minha Angústia

O Homem no Fundo do Poço