A Doida Máquina doTempo


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Quando eu era jovem eu achei uma forma de resolver meus conflitos emocionais: Criei uma máquina do tempo.

Meus conflitos eram aquelas situações onde eu não conseguia externar o que sentia, saindo sempre destas relações humanas, muitas delas dolorosas para mim, cheio de amargura e ressentido da cabeça aos pés, e então eu ficava pensando: "Mas por que eu não disse não, mas por que eu não falei aquilo que deveria ser dito, mas por que eu engoli os sapos, mas por que eu não gritei, mas por que eu não chinguei e mandei o meu oponente para o inferno, mas por que eu não disse para a garota que gostava dela e gostaria de convidá-la para ir ao cinema comigo, mas por que eu agi assim, mas por que eu agi assado..."

Quando eu ficava muito mal com o cabeção cheio destes pensamentos negativos sobre todas estas questões, desejando ardentemente que tudo isto tivesse ocorrido de uma forma diferente, eu tentava resolver isto através da minha máquina do tempo.

Entrava no meu quarto, deitava na cama e imaginava a minha máquina do tempo funcionando, o tempo voltando atrás, e eu reescrevendo aquela situação complicada e dolorosa para mim da maneira que eu achava que era a mais acertada.

Na minha mente doida a máquina do tempo não era semelhante ao pequeno moedor de carne da minha mãe, onde eu movia a alavanca, não para a frente, mas para trás, e desta forma por algum artifício desconhecido para mim, o tempo simplesmente voltaria para o passado, eu consertaria tudo e finalmente poderia viver os meus dias em paz.

E por que não? Nos filmes os meus heróis voltavam no tempo, haviam palavras mágicas como abracadabra, eu tenho a força, ao infinito e além, shazam, saída pela direita e tantas outras mais, onde os que estavam em apuros conseguiam livrar-se das suas dificuldades.

Infelizes dias aqueles... Quem lê pode achar que seja uma loucura, mas hoje eu sei que é mesmo, pois a minha mente doente e ávida por escrever uma realidade diferente podia fazer coisas que até o Poder Superior, conforme eu O concebo, duvide.

O só por hoje para mim é tão vital no meu dia a dia como um copo d'água para aquele que caminha por um deserto escaldante.

Sou aquele que tentou reescrever os dias passados, não vivendo os dias presentes, e ansiando desesperadamente pelos dias futuros cheios de paz e venturas eternas, que desta louca maneira não chegariam jamais.

Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida.

Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.

Clique em A Tóxica Raiva Congelada para ler a crônica anterior, ou em O Silêncio das Cadeiras Vazias para ler a seguinte.

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