O Insano Balaio Codependente e as Bestas do Apocalipse


"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade

necessária

para aceitar as coisas que não podemos

modificar,

Coragem para modificar aquelas que
podemos,

e Sabedoria para distinguir umas das
outras"


Estou dentro do insano balaio da Codependência; não sei onde eu começo, não sei onde eu termino, dentro do balaio todos juntos e todos misturados, que coisa mais louca. Alguém no balaio grita, não necessariamente para mim, mas o grito me afeta e me atemoriza, no balaio codependente as emoções dos outros confundem-se com as minhas, bem como as minhas confundem-se com as dos demais, se alguém gritou, gritou comigo; se alguém está de mal humor, está de mal humor comigo; se alguém está triste, está triste comigo — seria na verdade o humano balaio codendente um sem número de crianças centradas o tempo todo em seus próprios e enormes umbigos?

Quero sair do balaio, mas não sei onde eu começo e não sei onde eu termino, no fundo este balaio é um imenso rolo, um imenso rolo de arame farpado, onde estou atado aos demais da cabeça aos pés, onde estou ferindo e sendo ferido a todo instante, que rolo, que rolo de arame farpado. No balaio codependente os arames farpados passam todo o tempo, o tempo todo conjugando o verbo sofrer: Eu sofro, Tu sofres, Ele sofre, Nós sofremos, Vós sofreis, Eles sofrem  — seria na verdade o insano balaio codependente uma grande e circular prisão emocional cercada de arame farpado por todos os lados?

Quero sair do balaio, mas não sei onde eu começo e não sei onde eu termino, no fundo este balaio é um mar de pescadores, peixes, anzóis e iscas. Quando na minha atividade codependente — neste momento eu sou um poderoso pescador —, jogo o meu anzol e minha isca a fim de fisgar emocionalmente alguém, mas quando na minha passividade codependente — neste momento eu sou um frágil peixe —, simplesmente mordo o anzol e a isca, caindo vertiginosamente nos meus abismos de dores emocionais. No balaio codependente ora sou o predador e ora sou a presa, num insano jogo onde eu sou sempre a própria vítima de minha insana codependência — seria na verdade o humano balaio codependente um balaio de gatos?

Quero sair do balaio, mas não sei onde eu começo e não sei onde eu termino, no fundo este balaio é uma enorme caranguejada onde cada caranguejo agride o outro com suas poderosas garras. No balaio codependente os insanos caranguejos passam todo o tempo, o tempo todo conjugando o verbo agredir: Eu agrido, Tu agrides, Ele agride, Nós agredimos, Vós agredis, Eles agridem — seria na verdade o insano balaio codendente uma grande escola de humanos espiritualmente analfabetos?

Quero sair do balaio, mas não sei onde eu começo e não sei onde eu termino, no fundo este balaio é um mar de doloridas e desconcertantes bestas emocionais, no balaio a besta da vergonha tóxica; no balaio a besta da culpa; no balaio a besta da carência; no balaio a besta da indigência; no balaio a besta das fantasias sem fim; no balaio a besta da solidão; no balaio a besta da rejeição; no balaio a besta da depressão; no balaio a besta da humana degradação — seria a codependência a expressão mais concreta das bestas do apocalipse do apóstolo João?

Quero sair do balaio, e agora eu sei por onde eu começo, começo pelo programa de 12 Passos, e então com o tempo e a prática sincera deste programa tão simples, vou aos poucos saindo deste humano balaio codependente com seus rolos, seus caranguejos, seus pescadores, seus peixes, suas iscas, seus analfabetos espirituais, seus gatos, suas crianças com seus enormes umbigos e suas bestas, transformando-me simplesmente numa pessoa que busca diariamente a paz, a liberdade interior e a plena alegria de viver.

Concluo dizendo que mentalmente sei de tudo isto e que desejo sinceramente sair do codependente balaio — existe uma longa distância entre minha mente e o meu coração —, mas admito com toda a sinceridade de minha alma, admito que muitas vezes eu armo os meus ferrões emocionais, desço da minha frágil sanidade e entro inconscientemente no insano e humano balaio codependente a fim de ferroar ou ser ferroado por alguém — este balaio codependente parece mesmo é um mar de humanas e insanas vespas.

Meu nome é Anônimo, Anônimo em recuperação! Pública é a minha codependência; eu sou maior que todas as minhas ilusões. Só por hoje serei feliz; só por hoje eu sou a pessoa mais importante da minha vida. Paz, serenidade e muitas 24 horas. Caso tenha gostado da mensagem, sinta-se a vontade para compartilhar com os demais.



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